Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, discursa na posse do presidente do instituto Camões, Luis Faro Ramos, Lisboa, 3 novembro 2017 (foto: Nuno Fox/Lusa)

O novo Presidente do Instituto Camões, Luís Faro Ramos, exortou ontem “todo o Ministério dos Negócios Estrangeiros” bem como vários outros Ministérios a assumirem “como centrais” as áreas da cultura e língua portuguesa e da cooperação.

“Se considerarmos que os temas que ocupam o Camões são centrais no contexto da política externa de Portugal, então assim devem ser assumidos por todo o universo do Ministério dos Negócios Estrangeiros, bem como nas respetivas áreas de responsabilidade, por outros Ministérios relevantes para essa política externa, desde logo os chamados Ministérios de soberania, Defesa, Administração Interna e Justiça, mas também outros, como Cultura, Economia, Educação, Ciência e Tecnologia ou Ensino Superior”, sustentou Luís Faro Ramos.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, deu ontem posse ao Embaixador Luís Faro Ramos como Presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Para o novo responsável, “cooperação, cultura e língua valem por si, mas têm um potencial enorme para se beneficiarem mutuamente e adicionarem valor à política externa global desde que sejam pensados e executados numa ótica de integração e inclusão”.

O Diplomata destacou os principais objetivos do organismo que vai passar a presidir: “Tratar a língua portuguesa como uma das mais importantes línguas globais do mundo de hoje, definir um novo modelo para a cooperação, desenvolver a cooperação multilateral no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e modernizar a relação com as Comunidades portuguesas”.

Entre os desafios, destacou o desenvolvimento de conteúdos digitais para o ensino de português no estrangeiro, as parcerias com a Cultura e o Ensino Superior para a promoção da diplomacia cultural e científica e a colaboração entre Camões, AICEP e as empresas.

Ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, deixou um pedido: que o Camões seja considerado de “modo equivalente aos outros serviços” do Ministério na colocação de pessoal diplomático, “nomeadamente de jovens diplomatas, propiciando um melhor e desejável envolvimento do corpo diplomático português nas áreas da cooperação, cultura e língua”.

O novo responsável sucede a Ana Paula Laborinho, que deixa o Camões ao fim de oito anos para criar o escritório em Lisboa da Organização dos Estados Ibero-Americanos.

Luís Faro Ramos, 55 anos, era, até agora, Embaixador português em Havana (Cuba), depois de ter estado em Tunes (Tunísia). Foi também Diretor geral de política de Defesa Nacional, entre 2010 e 2011.

Economia e universidades devem promover língua portuguesa

 
Na cerimónia de posse do novo presidente do instituto Camões, Luís Faro Ramos, em Lisboa, o Ministro referiu que «é preciso interessar a economia, as universidades e outros agentes nesta promoção conjunta da língua portuguesa».
 
Augusto Santos Silva acrescentou que o instituto Camões não deve ter o monopólio da promoção da língua portuguesa e das culturas de língua portuguesa mas que se deve assumir como «agente principal de promoção internacional do português, das literaturas e das culturas de língua portuguesa».
 
O objetivo essencial será «promover o português como uma das grandes línguas globais de hoje», disse Augusto Santos Silva.
 
Valorização da língua portuguesa
 
O Ministro dos Negócios Estrangeiros reiterou a meta de fazer da língua portuguesa uma língua «cada vez mais valorizada como língua estrangeira nos currículos do maior número possível de países».
 
«Procuramos que a língua que os filhos das nossas comunidades estudam seja uma língua que eles estudem não por ser uma língua do gueto, que eles não são, não por ser uma língua regional, que não é, mas por ser uma língua de herança e uma das grandes línguas globais do mundo de hoje», acrescentou.
 
Cooperação interministerial
 
A parceria entre as áreas dos Negócios Estrangeiros e da Cultura no programa de ação cultural externa foi destacado pelo Ministro, que apontou um novo passo a tomar que junte «esforços de outras áreas, designadamente da Economia, e também outros agentes ligados à cultura, sobretudo fundações».
 
«A cooperação deve ir de mãos dadas com os outros fatores do desenvolvimento, designadamente o crescimento económico e as condições de inovação tecnológica e de criação de emprego», afirmou Augusto Santos Silva.
 

https://www.portugal.gov.pt/pt/gc21

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